“... - Empurre a corda para a direita. Assim você nunca vai ganhar dele. Vamos, corte a pipa dele Paula!
- Eu não consigo! Pegue-a!
- O quê?
- Ande logo! Pegue a corda. Você sim conseguirá ganhar dele!
Ele ficou me olhando com um olhar desconfiado.
- Pegue!
Caio pegou a corda e dominou a pipa facilmente. Parecia tão fácil tudo aquilo, mas eu, brincando de pipa era um desastre. Eu fiquei observando o seu velho truque. Ele mergulhou a pipa no céu e cortou a pipa de Jerry. Todos começaram a gritar e comemorar a “nossa” vitória sobre o grandalhão do Jerry. Ninguém tinha ganhado dele e para Caio, não foi tão difícil assim.
- Você conseguiu! – eu abri um largo sorriso e o abracei.
- Essa foi pra você Paula!- os olhos dele pararam nos meus. – E agora veja se aprende está bem? – ele continuo desviando o olhar.
Nós ficamos rindo por um longo tempo...”
Meus olhos se abriram. Me toquei de que estava sonhando. Uma lembrança estalou em minha cabeça e olhei para o relógio. Eram cinco horas, não estava acreditando. Eu dormi, minha avó saiu do quarto sem ao menos fazer barulho e minha mãe não me acordou. Com certeza foi de propósito.
- Mãaaaaae! – eu desci as escadas aos prantos, ajeitando o cabelo.
- O que foi querida? Sua mãe acabou de sair. – Minha avó veio ao meu encontro.
- Como assim? Nós iríamos ver o meu amigo! Aonde ela foi? Ela vai demorar?
- Eu não tenho certeza. Acho que foi ao dentista, quem sabe ela voltará rápido. – ela respondeu pegando o telefone da bancada ao seu lado e colocando em minha mão. – Ligue pra ela se quiser.
Eu peguei o telefone sem fio de sua mão com um certo desespero. Disquei o número do celular de minha mãe:
- Alô?
- Mãe!! Você disse que iríamos hoje ver o Caio as quatro horas, já são cinco. Onde você está?
- Acabei de sair do dentista. Estou indo até o banco resolver um “probleminha”.
- Mas mãe...
- Filha, nós podemos ir amanhã que é um dia mais tranqüilo, se sairmos daqui agora chegaremos lá a noite e não queremos incomodar ninguém certo? – ela me cortou rapidamente.
- Mãe, não vamos incomodar, tanto que ele que nos convidou.
- Paula, não discuta, se você quer mesmo ir terá que esperar até amanhã.
Eu baixei a bola, e senti vontade de chorar.
- Está bem mãe! MUITO obrigada! – engrossei a voz e desliguei a ligação em sua cara.
Ela não estava ajudando mesmo.